Ela quer embebedar-se cada vez mais,acredita que assim esquecerá tudo e todos ao seu redor,parecem estar vigiando e esperando sua primeira falha.Mais uma vez ficou com cara de pastel na frente de todos,mas consegue dar um sorriso,meio ímpar.Talvez não percebam sua dor gritando em sua cabeça e suas unhas ruídas.
Suavemente ela toca em seu rosto meio úmido,por causa do calor do lugar,com todas aquelas mesas quase empilhadas umas em cima das outras,cheio de pessoas estranhas.E logo percebe que sua maquiagem está saindo e que precisa de um retoque.Ela corre para o toalete,lava seu rosto com muita calma e com os olhos perdidos no espelho. Se maquiou e voltou para o balcão do bar,agora com o semblante mais tranquilo. Começa a reparar a sua volta. "Como não tinha visto tal figura?" pensou ela,quando viu um senhorzinho de meia idade em uma mesa do canto direito.Reparou em sua camisa listrada nas cores amarelo e preto, " uma abelha" indagou ela baixinho,com um sorriso alegre.
Tinha um jeito de menina,mas ninguém jamais imaginara o que ela já passou em sua vida.Parece que aquele senhorzinho de antes notou algo muito especial nela,que logo se aproxima e exclama -"Perfeita!"- ela com um olhar de surpresa nada responde.Pois todos do bar agora esperam para ver sua reação,mas ela nada fala,apenas o encara tentando decifrar aquele rosto engraçado e velho. Em seguida ele lhe oferece carona para levá-la ate em casa.Ela gentilmente agradece o pedido e nega ir embora com aquele senhorzinho de vestimenta engraçada. Na verdade ela não queria conversar nem titubear com ninguém,apenas queria se embriagar e depois ligar para um táxi.
No caminho para casa conta toda sua vida para o taxista,que a escuta com paciência.Sua voz agora está diferente...é...conseguiu se embriagar. Ao descer do táxi manda um beijo para o taxista,coisa que jamais faria,pois não era de sua índole cometer um ato desses.
Já no portão de casa pega seu molho de chaves "Puxa,quantas chaves eu tenho" disse ela caindo pela porta adentro,engraçado porque no chaveiro há apenas quatro chaves,a do portão,uma da porta da frente,uma do quarto e uma de um cadeado.
Jogou sua bolsa no sofá,sua sandália no corredor nem acendeu as luzes.Deitou-se na cama e dormiu pensando naquele senhorzinho com aquele traje tão engraçado aos seus olhos verdes.
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