quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Sabor de Morango

      Sabor de morango...a melhor sensação que já experimentei com
alguém tão simples e calado. Por trás de um sorriso pequeno há tanto
o que descobrir.
       Caminhamos juntos pela praça...o dia parecia perfeito para duas
pessoas que se gostam. Andando de mãos dadas e uma vontade imensa
de gritar para todo mundo ouvir que te amo e que enfim descobri o que
é felicidade.
       Olhei para o céu,como estava lindo...era um azul tão puro. Uma
brisa leve bagunçava meu cabelo. Eu como sempre não parava de falar
e você parecia não se entediar. Naquele momento não tínhamos nada
com o que nos preocupar.
      Toda vez que estava destraída te pegava me olhando, sintia um
friozinho na barriga. Então te enchia de beijos...sabor de morango.
Você sempre me diz "Nunca me deixe!" como poderia cometer tal loucura,
me ame...me beije...
     Vamos juntos construir nosso futuro, montar uma história que tenha o
sabor do nosso amor...sabor de morango.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Deixa pra lá!!!

      Já me disseram que as vezes ser esquisito é difícil... Me dê uma razão para deixar de ser mais enrolada que rolo de barbante. A verdade é que tentamos nos distrair com qualquer coisa.
     De cima dos prédios ouço o mundo gritar.
     Por que finge não me ver? Por que finge não me escutar? Sou alguém!! Diferente de você, talvez seu pesadelo ou até mesmo um belo sonho.

    Enfim....não fecharei meus olhos e braços para você. Mentira!! Para você não haverá mais aconchego, em meus lábios não encontrará refúgio. Enquanto houver vida em mim, você não estará em meus sentimentos mais gentis. E tudo vai passar.
    Ouço o som da chuva caindo lá fora nessa tarde tão escura, começo a rir da vida e do mundo. De como somos feridos todos os dias...deixa pra lá.... melhor fazer um café e fumar um cigarro.
    Pela janela vejo tudo embaçado e triste, não há ninguém na rua. Também com essa chuva quem se atreveria a sair de casa?
     E hoje eu só quero rir de nossos planos...

sábado, 23 de abril de 2011

Papel de Idiota

     Sabe quando você percebe que fez papel de idiota, na mesma situação que das outras vezes só que agora com pessoa diferente.... pois é! Isso é uma tremenda perda de tempo, às vezes acho que se eu não levantasse da cama de manhã eu ganharia bem mais.
     É sexta-feira à noite e aqui estou eu, escrevendo e escrevendo. Não tem lugar nenhum pra ir, ter tem mas hoje nenhum me chamou atenção. Te liguei para sairmos juntos e você preferiu ficar com amigos, muito obrigado por me fazer acordar. Trocarei de roupa novamente, cansei da que estive vestindo por esses seis meses. Sempre é bom renovar.

    A Páscoa está chegando.... compraria seu ovo amanhã, mas hoje decidi que não comprarei pra você, comprarei pra mim, vou me entupir de chocolate esse fim de semana tão vazio e patético. O que seria da Páscoa sem chocolate? Tenho certeza que poucas pessoas se lembram do significado dela. Sinceramente falando, quando comentam da Páscoa só me vem na cabeça a imagem de chocolates caindo sobre mim... estranho isso!!
    Está um vento frio la fora, dá até para ouvir o som do vento pela janela do meu quarto. No céu há uma lua imensa e linda, se não me engano é lua nova. Coisas novas.... preciso realmente de coisas novas. Até minhas idéias estão ultrapassadas.
    Farei um chá e dormirei essa noite ouvindo o som do vento, sentindo um calor no peito por causa do chá e o pensamento lá em você, pela última vez.

sábado, 2 de abril de 2011

Qual seria o plano B ?

     Ele não sabe ser feliz, hoje não quero te ver, não quero conversar. Quero respirar longe daqui, preciso sair para andar, descer desse apartamento.
     Esse é o plano A, formularei o plano B infalível. Ou talvez seja melhor não planejar e deixar rolar. O que um simples abraço quer dizer? Fecho os olhos e tento descobrir e imaginar, para tentar explicar.
     Manhã quente, o sol faz seu papel como nunca fez. Seus olhos sempre me refletem algo bom, a vida é tua, deixe essas sombras. Pode o que quiser.
    Eu? Bem....eu não era assim, talvez sempre fui, ou seja quem deva ser. Quantas marcas grandes ganhei com o tempo, mas apenas hoje é que percebi. Felizmente enxergo novamente... tudo vai passar não é tarde.
     No que me transformei? Estranha criatura que vaga centrando apenas a triste idéia de apenas caminhar. Queria evitar tudo isso. Não confio em minhas mãos que percorrem todo o caderno com essa caneta ponta fina preta.
     Jamais me deixarei outra vez.
    As vezes eu não entendo nada do que se está passando por aqui.

terça-feira, 15 de março de 2011

Ultrapassando o ar

   Esqueça todos os meus erros quando me for, me salve de mim mesma não consigo ser o que você é. Brilhe dia e noite, posso sentir e ver seu brilho. Brincando com gritos...Eu não sei porque brilhar ou aparecer. Nada mais está no ar ou no caminho para me chocar. Vai longe,por que está tão perto? Por que?
   Estou sufocado e errado. Neura e viagem na minha cabeça, um carnaval de ilusão. Agora estou comigo mesmo indo para o céu, indo cada vez mais longe, ultrapassando o ar, a terra, o céu, sei exatamente o que fazer.
   Por favor....pra mim me diz, o que te move agora!!

terça-feira, 1 de março de 2011

Um parágrafo de nossa história

       -Alô! -Você  me disse.
       Eu com as mãos suadas e bochechas vermelhas, havia terminado de tomar café, era uma tarde quente,
onde os raios de sol invadiam a casa, deixando tudo claro com seu reflexo, enfim, era um belo dia após uma semana de chuva, finalmente havia sol.
      Quando o telefone tocou,atendi sem nenhum ânimo. Mas quando ouvi sua voz não contive minha emoção. Uma mistura de nervosismo e alegria.
     -Oi.....é.....tudo bem com você? -respondi com voz trêmula.
     -Oi minha linda! Estou precisando te ver,sinto saudade.
     Nesse instante me senti literalmente feliz,"lá vem ele seu jeito espojado de sempre,será que realmente sente minha falta?" pensei. Mas não sabia o que responder,então fiquei muda ,ao perceber meu breve silêncio ele continuou falando:
    -Vamos sair amanhã? Tem um novo barzinho que acabou de ser inaugurado e queria te levar para conhecer.
    -Olha...Claro!! Digo......vamos sim! -"seria tão difícil dizer não para você",pensei comigo mesma. Mas meus pensamentos foram interrompidos por aquela voz doce,seu timbre era maravilhoso. Nunca havia escutado uma voz tão linda.
    -Queria te ver todos os dias,te ter perto de mim.Se fóssemos marido e mulher nunca te deixaria e acho que você faria o mesmo.Toda vez que estamos juntos,parece que nosso desejo não tem fim.
     "Como é difícil me expressar....melhor só falar o básico....Ai meu Deus!!!" pensei.
      -É isso mesmo que acontece....aff...
      -Mas e você está bem?
      -Estou bem.Um pouco cansada,trabalhei muito hoje cedo.Você parece estar muito bem né?
      -Sim.Só com saudades,mas parece que você não está nem aí...
      "Ele mudou o tom de voz....Será que falei  demais ou de menos..."
      -Por que acha isso? -Falei preocupada e com medo da resposta.
      -Sei lá! Só acho!!
      "Realmente sua voz mudou,está ficando mais baixo e parece triste."
       -Eu falei alguma coisa de que não gostou?
       -Na verdade estou cismado. -Disse ele sem rodeios.
       O que será que eu fiz....me pergunto, sentando entre a mesinha e o sofá,o tapete da sala era tão macio, em um tom de bege,muito fino. Minha mãe havia ganhado de uma de suas amigas, me sentei e comecei a ouvir cada palavra,cada respiração,ouvi tudo atentamente.
     -Estou cismado com o que você ficou de me falar e não disse.
     Há uns dias atrás combinamos de sair juntos,mas encontrei uns amigos mais cedo e saí com eles,me esquecendo completamente do encontro. No dia seguinte ficamos de conversar ,mas não foi possível e desde então não tinha me desculpado ainda. "Achei que ele nem estava se importando..."
    -Pensei que você iria se esquecer...
    -Eu lembro de tudo minha linda! Só esqueço na hora mas sempre me lembro,me diz...estou ficando preocupado!
    -Mas não é nada demais...- Falei tentando convencer ele de deixar esse assunto de lado e tocar pra frente.
    -Está bem...vou falar e você vai ver que não é nada demais.
    -Hum....
    "Por onde começo?Preciso dizer a ele o por que não fui ao encontro e de como me diverti com meus amigos naquela noite,passamos ótimos momentos  juntos,já que não nos víamos à muito tempo. Não foi justo o bolo que eu dei nele...ai ai! Hoje tenho a chance de falar tudo....afffff...."
    -Bom...eu....eu....Eu ia te pedir desculpas.... aquele dia tínhamos combinado de sair e não fui me encontrar com você,pensei em fazer uma coisa e fiz outra. Como sempre estragando tudo,depois desse dia vi  que não adianta ficar colocando empecilho entre nós dois, então vou tentar agir melhor com você! Desculpe está bem? Bom.....Isso é tudo que queria te dizer!
   Mas ele nada falava...estava mudo do outro lado da linha. Na verdade ele estava meio confuso com o que tinha acabado de escutar..." será que finalmente ela mudará comigo? Entregará  seu coração para mim... como eu queria..." -pensou ele.
    -E aí? O que me diz? -Falei com medo de sua resposta.
   -Pensei que você ia me dizer que não me queria mais e me deixaria de vez. Me dando um 'toco'! Você faz essas coisas,mas toda vez que estávamos juntos,ficávamos com expectativas... mas tudo bem,eu espero pelas pessoas desde que nasci... então mesmo odiando esperar e mais ainda ser frustado por ganhar um bolo, eu sempre tento manter a calma e entender o lado de cada um! O que sei é que quando quero,espero pacientemente,pois no fim eu consigo. A questão é que tenho uma paciência às  vezes fora de série.
    -Você é mesmo muito paciente e persistente!
    "Ele tem razão,se ele não fosse assim talvez não estaríamos juntos", tenho medo de gostar ,não deixo ninguém entrar em meu coração. Tenho os pés firmes no chão, não me apaixono fácil. Ele Persiste e investe naquilo que tem certeza que  dará certo,tanto emocionalmente como profissionalmente. Ambos já sofreram por outras paixões.
     -Pensei em te deixar quieta.
    -Sério? -Indaguei assustada.
    -Só passou pela minha cabeça,porque achava que estava te incomodando,e na verdade eu estava! Por que mesmo sem falar com você,todos esses dias que se passaram,você me sentia. Saudade ou vontade,ou os dois.... Tive que deixar uma marca em você, por mim você nunca me esqueceria. Gosto de ser lembrado, principalmente por você. Cogitado! Você de alguma forma me marcou!
   -Nossa! Tudo o que você me disse daria uma bela história,não acha?
   -Acho! Nossa história não é longa, mas daria uma bela música. Você é minha musa e minha fonte de inspiração!
   -Você é tão gentil...um doce!!! -Falei alegre.
   -Está marcado a gente se ver amanhã minha linda?
   -Claro que sim! Marcadíssimo. Tenho muita saudade.
   Me despedi e desliguei o telefone com um sorriso de orelha à orelha. Me levantei do tapete, sentei no sofá, liguei a televisão e penso em você mais uma vez.
 

Escrito em 2006 (bons textos dessa época...)

   Pensamos não ter feito o melhor para chegar à liberdade, parecia que tudo iria parar. Quantos passos, em todo espelho vejo as marcas que ganhei,cada dia somos consumidos. Agora há tempo, mas não o suficiente para dizer o que queremos.
    Os lugares são tão vazios, a vida, as pessoas....
    Pássaros são livres,passam por onde querem. sorrimos mas falta aquele intusiasmo. Saber que a melhor escolha é viver. Por que se esconder? Por que a dúvida?
    Ganhar a liberdade,difícil revelar o que nos deixa pra baixo, tudo passará como o vento. Não diga, apenas faça.Não jogue fora o amanhã que talvez nem chegue pra você!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Lagoa

     Alan é um jovem adolescente de pele clara e olhos escuros,boa aparência.Seu defeito é ser emotivo,por ser assim se magoa facilmente,embora nem sempre demonstre sua tristeza.Prefere exibir sua simpatia para cativar  à todos.Criando assim uma espécie de armadura.É uma pessoa agradável e um ótimo músico. Seu melhor amigo é o Charles.
    Charles já é maior de idade,gosta de festas,é criativo e curioso,sempre tem mil histórias para contar,fala de si,fala dos amigos,fala de tudo.Além de sempre usar bermudas coloridas,parece não perceber que são horríveis à poucos dias pegou sua carteira de habilitação e teve a brilhante idéia de pedir seu pai o carro emprestado,um Corcel verde,na época esse carro era um dos mais cobiçados entre os jovens.
     Após quinze minutos de discurso seu pai resolve emprestar o carro,fez mil recomendações.Então Charles corre para a garagem,abre o portão que faz um ruído o que o fez lembrar de lubrificar  a dobradiça do portão.E lá estava ele.....o carro!!
    Apressadamente liga o carro e dirige em direção à casa de Alan. Os dois são amigos á onze anos. Ao ouvir a campainha Alan corre até a porta com um sorriso de "orelha à orelha".
    -Pegou o carro do seu pai!! Está louco? -disse num tom alegre e assustado.
    -O velho me emprestou,vamos dar um rolé! Quero ver a cara da galera quando me ver no carro!
    Sem hesitar os dois passeiam pelo bairro.Aquele sol quente e o vento morno no rosto,decidem ir para uma lagoa que tem ali perto,onde a grama é curta e a água cristalina.No momento em que descem do carro Charles tira a camisa pulando e gritando e corre em direção à enorme lagoa e mergulha.
Enquanto isso Alan tira calmamente sua camisa preta com uma escrita em japonês,duvido que ele saiba o que signifique.Tira os chinelos e deita na grama.
    Agora olhando para o céu azul,começa a pensar em tudo o que está sentindo, um misto de dor e saudade,
lembra de sua mãe quando era viva e sentiu um grande vazio. Enquanto tem esses pensamentos,nem escuta o que Charles fala ao sair da lagoa:
    -Alan!! Vou buscar umas geladas pra gente tomar! -Ligou o carro e foi em direção ao comércio da cidade.
     Mas perdido em suas lembranças Alan continua deitado, hipnotizado, imaginando o rosto da mãe nas nuvens e de como seu pai tentava agradá-lo em tudo.Aquela dor parecia interminável.
     Olha em direção a lagoa e seus olhos não param de sangrar.Quando se deu conta estava entrando dentro da imensa lagoa e indo cada vez mais fundo.Parece não se lembrar que não sabe nadar,ou ele estaria tentando acabar com aquela dor de uma vez...não pode ser! Impossível!
    Continuava a ir em frente naquela lagoa ímpeta,sem nenhum pânico ou medo.Apenas deixa o corpo afundar. Ao abrir os olhos se pergunta como um sussurro...
     -Será que alguém virá me salvar? -E seus olhos se fecham,pesados...a claridade finalmente acaba.
        
     De longe escuta uma voz aflita:
     -A...l....a...n....
     E sentiu um calor forte e uma dor no peito,estava todo dolorido.Abriu os olhos e ali estava Charles. Ele havia chegado e quando não o viu deitado na grama saiu correndo em direção à lagoa e por sorte o encontrou .Tirou-o de lá e fez de tudo para salvá-lo,quando percebeu que Alan não acordava ,esmurrou seu peito,fez todos os procedimentos de salvamento.
    -Graças a Deus....Pensei que.....Pensei que não te traria de volta... -disse Charles aos soluços.
    Alan com os olhos meio abertos apenas exclama:
    -Cara,como você consegue usar bermudas tão feias?

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Carolina

        "Me deixe escrever pra você,apesar de todos os meus defeitos,
acho que gosta desse meu jeito.Enquanto você toca escrevo sem parar,
frases atrás de frases.Minha maior inspiração.
         Melhor que te ver tocar é só tendo você ao meu lado,nem que seje
apenas para me dar um simples 'Oi'. Te sentindo bem perto.Perto do precipício
em que me tornei.Desculpe  mas terá que se jogar,é como uma embriaguez.Falo
cada vez mais alto,mas é apenas para te alcançar,só quero parar de fingir."
         Carolina volta no tempo,mas nada muda,apenas assiste sua vida como
um filme em um cinema de quinta categoria.
         Decorou poesias,demônios que não conhecia."É tão fora de moda" pensou
enquanto se levantava.Olhou apreensiva,já não sabe se restou algo no ar, está
cansada demais para lutar, Carolina inclina-se levemente  e olha pelo vidro
do estúdio,onde avista a banda tocando seu hitt preferido.      
     Só conseguia pensar em como arrancar essa sensação ruim de que nada mudará.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

....

        Te agradeço pela luz na escuridão;
        Pelo sorriso entre as lágrimas;
        Pelo bocejo em nossas conversas tão confusas;
        Por me mostrar o sol na tempestade;
        Por me aquecer nos dias frios;
        Por me fazer amadurecer;
       Queria poder dizer mais,só que você não iria entender.

       
                         

Lágrimas

     Deviam acabar com os nós de garganta que sufocam.Aprisionada em meu quarto onde a solidão é tão comum para mim.As imagens não me entendem mais,minha cama me aceita como sou,meu cobertor me abraça e meu travesseiro enxuga minhas lágrimas,que não se cansam de passear por minha face magoada.
    Me faltam palavras para expressar o que realmente queria dizer.Me fale de sua vida medíocre e superficial,debaixo de seu sorriso amarelo vejo as lágrimas que dos seus olhos não param de sair.

Lembranças Parte I

      Gosto amargo na boca,estômago vazio e barulhento.Um pouco de ansiedade abate meu coração nessa noite fria,vento gelado que nunca cessa.Correndo por esse campo imenso,consigo sentir a grama úmida em meus pés.Há tantas árvores por aqui,jamais vi algo assim tão belo.Mas não consigo parar de correr,minha visão está ficando embaçada,quero ir pra casa!!
      De longe avistei um tronco caído,parecia um bom lugar para me sentar.Sentada percebi que não escutava nada além de minha respiração.Podia até sentir meus batimentos cardíacos. Pensei: "Sei que tinha uma fotografia no bolso....onde está?",procurei até encontrar,peguei ela antes de sair de casa.Tem a imagem de minha família: "Como eu cresci,e como todos cresceram." 
      Me lembro desse dia como se fosse ontem...
    
    "-Daniela!!! -chamou minha mãe.
     -Peraí!!! -respondi.
     Estava brincando com uma vizinha,a Suelen. Suelen tinha tudo o que queria,era só chorar que seus pais apareciam correndo para ver o que a filha deles queria,acho que agiam assim por ela ser filha única.Eu era sua única amiga.
     Mais uma vez minha mãe me gritou,se eu não fosse atende-la,dessa vez me buscaria aos chingos. Corri até ela.
     -Que foi mãe!! -Disse num tom agressivo.
     -Vamos tirar uma foto da família,ainda tem espaço no filme da câmera para tirar mais uma foto.
    Sentei no sofá,mas logo minhas irmãs chegaram e me tiraram de lá.
    -Por que não posso ficar aqui?? -Indaguei,mas nada disseram.
    Minha irmã na época tinha uns 12 anos,meu irmão tinha uns 2 anos,eu tava com 8 anos. Mas meu irmão por ser mais novo tinha que ficar no colo da minha mãe,mas eu não aceitava. 
   -Por que ele? Por que sempre ele?
   Não queria nem ouvir as desculpas que estavam dando,para mim foi um ato de desprezo, chorei,esperniei,mas de nada adiantou.Tive que ficar agachada entre as pernas da minha irmã.Me lembro do semblante de meu pai,minutos antes da foto.Meu pai era um homem jovem com ótima aparência,bonito e chamativo,por onde ele passava podia-se perceber os olhares,seu físico atlético.Para mim seu sorriso era cheio de luz,mas se estava zangado ou furioso mal se conseguia encarar,seu rosto mudava,não parecia o mesmo.
    A Lúcia mãe de Suelen que fotografou a família.Logo depois voltei correndo para o quintal,continuei brincando mas Suelen tinha bagunçado minha casinha de bonecas, então peguei tudo e fui para casa com raiva. 
   -O que foi Daniela?
   -Nada mãe...não é nada!!
   Do que adiantaria argumentar,sabia que no final ninguém me escutaria."
   Essa fotografia lembra minha infância,onde tudo era diversão.Tem coisas que não mudam...Hoje continuo gritando entre os surdos.
   Que frio!!!

sábado, 15 de janeiro de 2011

Senhorzinho de vestimenta engraçada

      Ela quer embebedar-se cada vez mais,acredita que assim esquecerá tudo e todos ao seu redor,parecem estar vigiando e esperando sua primeira falha.Mais uma vez ficou com cara de pastel  na frente de todos,mas consegue dar um sorriso,meio ímpar.Talvez não percebam sua dor gritando em sua cabeça e suas unhas ruídas.
     Suavemente ela toca em seu rosto meio úmido,por causa do calor do lugar,com todas aquelas mesas quase empilhadas umas em cima das outras,cheio de pessoas estranhas.E logo percebe que sua maquiagem está saindo e que precisa de um retoque.Ela corre para o toalete,lava seu rosto com muita calma e com os olhos perdidos no espelho. Se maquiou e voltou para o balcão do bar,agora com o semblante mais tranquilo. Começa a reparar a sua volta. "Como não tinha visto tal figura?" pensou ela,quando viu um senhorzinho de meia idade em uma mesa do canto direito.Reparou em sua camisa listrada nas cores amarelo e preto, " uma abelha" indagou ela baixinho,com um sorriso alegre.
     Tinha um jeito de menina,mas ninguém jamais imaginara o que ela já passou em sua vida.Parece que aquele senhorzinho de antes notou algo muito especial nela,que logo se aproxima e exclama -"Perfeita!"- ela com um olhar de surpresa nada responde.Pois todos do bar agora esperam para ver sua reação,mas ela nada fala,apenas o encara tentando decifrar aquele rosto engraçado e velho. Em seguida ele lhe oferece carona para levá-la ate em casa.Ela gentilmente agradece o pedido e nega ir embora com aquele senhorzinho de vestimenta engraçada. Na verdade ela não queria conversar nem titubear com ninguém,apenas queria se embriagar e depois ligar para um táxi.
     No caminho para casa conta toda sua vida para o taxista,que a escuta com paciência.Sua voz agora está diferente...é...conseguiu se embriagar. Ao descer do táxi manda um beijo para o taxista,coisa que jamais faria,pois não era de sua índole cometer um ato desses.
     Já no portão de casa pega seu molho de chaves "Puxa,quantas chaves eu tenho" disse ela caindo pela porta adentro,engraçado porque no chaveiro há apenas quatro chaves,a do portão,uma da porta da frente,uma do quarto e uma de um cadeado.
     Jogou sua bolsa no sofá,sua sandália no corredor nem acendeu as luzes.Deitou-se na cama e dormiu pensando naquele senhorzinho com aquele traje tão engraçado aos seus olhos verdes.

Dias de tormento

       Estava caindo uma chuva tão gostosa á tarde,não sei por que mas me veio tantas lembranças agradáveis. Não gosto,pois sei que é saudade e isso me deixa com um sentimento de agonia,uma dor no peito,um nó na garganta!
       Quando percebo já estou usando o segundo lenço.Tremenda perda de tempo.Escrevi tanto hoje que não sei de onde vem tantas palavras e idéias,talvez venha do passado ou do que ainda não aconteceu.Lembro que hoje cedo estava confabulando comigo mesma,sobre a vida,os lugares,as loucuras cometidas e a falta de arrependimento.
       Malditas lembranças,por melhores que sejam me machucam.Provocam emoções que não vejo o porque de tanta afobação.Nesse momento a melhor solução seria acampar,ir para um lugar tranquilo.Deitar na grama, acender um cigarro e olhar as nuvens se movendo,tentar criar formas de tudo o que acho belo. Depois respirar fundo,sentir minha liberdade e claro correr pisando na terra,olhar os insetos trabalhando.Puxa! A quanto tempo não desfruto disso...Fazer tudo sem pressa e a noite acender uma fogueira e nela preparar algo bem simples, para em seguida novamente me deitar e adormecer ao som dos grilos e sob o sereno.