Alan é um jovem adolescente de pele clara e olhos escuros,boa aparência.Seu defeito é ser emotivo,por ser assim se magoa facilmente,embora nem sempre demonstre sua tristeza.Prefere exibir sua simpatia para cativar à todos.Criando assim uma espécie de armadura.É uma pessoa agradável e um ótimo músico. Seu melhor amigo é o Charles.
Charles já é maior de idade,gosta de festas,é criativo e curioso,sempre tem mil histórias para contar,fala de si,fala dos amigos,fala de tudo.Além de sempre usar bermudas coloridas,parece não perceber que são horríveis à poucos dias pegou sua carteira de habilitação e teve a brilhante idéia de pedir seu pai o carro emprestado,um Corcel verde,na época esse carro era um dos mais cobiçados entre os jovens.
Após quinze minutos de discurso seu pai resolve emprestar o carro,fez mil recomendações.Então Charles corre para a garagem,abre o portão que faz um ruído o que o fez lembrar de lubrificar a dobradiça do portão.E lá estava ele.....o carro!!
Apressadamente liga o carro e dirige em direção à casa de Alan. Os dois são amigos á onze anos. Ao ouvir a campainha Alan corre até a porta com um sorriso de "orelha à orelha".
-Pegou o carro do seu pai!! Está louco? -disse num tom alegre e assustado.
-O velho me emprestou,vamos dar um rolé! Quero ver a cara da galera quando me ver no carro!
Sem hesitar os dois passeiam pelo bairro.Aquele sol quente e o vento morno no rosto,decidem ir para uma lagoa que tem ali perto,onde a grama é curta e a água cristalina.No momento em que descem do carro Charles tira a camisa pulando e gritando e corre em direção à enorme lagoa e mergulha.
Enquanto isso Alan tira calmamente sua camisa preta com uma escrita em japonês,duvido que ele saiba o que signifique.Tira os chinelos e deita na grama.
Agora olhando para o céu azul,começa a pensar em tudo o que está sentindo, um misto de dor e saudade,
lembra de sua mãe quando era viva e sentiu um grande vazio. Enquanto tem esses pensamentos,nem escuta o que Charles fala ao sair da lagoa:
-Alan!! Vou buscar umas geladas pra gente tomar! -Ligou o carro e foi em direção ao comércio da cidade.
Mas perdido em suas lembranças Alan continua deitado, hipnotizado, imaginando o rosto da mãe nas nuvens e de como seu pai tentava agradá-lo em tudo.Aquela dor parecia interminável.
Olha em direção a lagoa e seus olhos não param de sangrar.Quando se deu conta estava entrando dentro da imensa lagoa e indo cada vez mais fundo.Parece não se lembrar que não sabe nadar,ou ele estaria tentando acabar com aquela dor de uma vez...não pode ser! Impossível!
Continuava a ir em frente naquela lagoa ímpeta,sem nenhum pânico ou medo.Apenas deixa o corpo afundar. Ao abrir os olhos se pergunta como um sussurro...
-Será que alguém virá me salvar? -E seus olhos se fecham,pesados...a claridade finalmente acaba.
De longe escuta uma voz aflita:
-A...l....a...n....
E sentiu um calor forte e uma dor no peito,estava todo dolorido.Abriu os olhos e ali estava Charles. Ele havia chegado e quando não o viu deitado na grama saiu correndo em direção à lagoa e por sorte o encontrou .Tirou-o de lá e fez de tudo para salvá-lo,quando percebeu que Alan não acordava ,esmurrou seu peito,fez todos os procedimentos de salvamento.
-Graças a Deus....Pensei que.....Pensei que não te traria de volta... -disse Charles aos soluços.
Alan com os olhos meio abertos apenas exclama:
-Cara,como você consegue usar bermudas tão feias?
