quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Carolina

        "Me deixe escrever pra você,apesar de todos os meus defeitos,
acho que gosta desse meu jeito.Enquanto você toca escrevo sem parar,
frases atrás de frases.Minha maior inspiração.
         Melhor que te ver tocar é só tendo você ao meu lado,nem que seje
apenas para me dar um simples 'Oi'. Te sentindo bem perto.Perto do precipício
em que me tornei.Desculpe  mas terá que se jogar,é como uma embriaguez.Falo
cada vez mais alto,mas é apenas para te alcançar,só quero parar de fingir."
         Carolina volta no tempo,mas nada muda,apenas assiste sua vida como
um filme em um cinema de quinta categoria.
         Decorou poesias,demônios que não conhecia."É tão fora de moda" pensou
enquanto se levantava.Olhou apreensiva,já não sabe se restou algo no ar, está
cansada demais para lutar, Carolina inclina-se levemente  e olha pelo vidro
do estúdio,onde avista a banda tocando seu hitt preferido.      
     Só conseguia pensar em como arrancar essa sensação ruim de que nada mudará.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

....

        Te agradeço pela luz na escuridão;
        Pelo sorriso entre as lágrimas;
        Pelo bocejo em nossas conversas tão confusas;
        Por me mostrar o sol na tempestade;
        Por me aquecer nos dias frios;
        Por me fazer amadurecer;
       Queria poder dizer mais,só que você não iria entender.

       
                         

Lágrimas

     Deviam acabar com os nós de garganta que sufocam.Aprisionada em meu quarto onde a solidão é tão comum para mim.As imagens não me entendem mais,minha cama me aceita como sou,meu cobertor me abraça e meu travesseiro enxuga minhas lágrimas,que não se cansam de passear por minha face magoada.
    Me faltam palavras para expressar o que realmente queria dizer.Me fale de sua vida medíocre e superficial,debaixo de seu sorriso amarelo vejo as lágrimas que dos seus olhos não param de sair.

Lembranças Parte I

      Gosto amargo na boca,estômago vazio e barulhento.Um pouco de ansiedade abate meu coração nessa noite fria,vento gelado que nunca cessa.Correndo por esse campo imenso,consigo sentir a grama úmida em meus pés.Há tantas árvores por aqui,jamais vi algo assim tão belo.Mas não consigo parar de correr,minha visão está ficando embaçada,quero ir pra casa!!
      De longe avistei um tronco caído,parecia um bom lugar para me sentar.Sentada percebi que não escutava nada além de minha respiração.Podia até sentir meus batimentos cardíacos. Pensei: "Sei que tinha uma fotografia no bolso....onde está?",procurei até encontrar,peguei ela antes de sair de casa.Tem a imagem de minha família: "Como eu cresci,e como todos cresceram." 
      Me lembro desse dia como se fosse ontem...
    
    "-Daniela!!! -chamou minha mãe.
     -Peraí!!! -respondi.
     Estava brincando com uma vizinha,a Suelen. Suelen tinha tudo o que queria,era só chorar que seus pais apareciam correndo para ver o que a filha deles queria,acho que agiam assim por ela ser filha única.Eu era sua única amiga.
     Mais uma vez minha mãe me gritou,se eu não fosse atende-la,dessa vez me buscaria aos chingos. Corri até ela.
     -Que foi mãe!! -Disse num tom agressivo.
     -Vamos tirar uma foto da família,ainda tem espaço no filme da câmera para tirar mais uma foto.
    Sentei no sofá,mas logo minhas irmãs chegaram e me tiraram de lá.
    -Por que não posso ficar aqui?? -Indaguei,mas nada disseram.
    Minha irmã na época tinha uns 12 anos,meu irmão tinha uns 2 anos,eu tava com 8 anos. Mas meu irmão por ser mais novo tinha que ficar no colo da minha mãe,mas eu não aceitava. 
   -Por que ele? Por que sempre ele?
   Não queria nem ouvir as desculpas que estavam dando,para mim foi um ato de desprezo, chorei,esperniei,mas de nada adiantou.Tive que ficar agachada entre as pernas da minha irmã.Me lembro do semblante de meu pai,minutos antes da foto.Meu pai era um homem jovem com ótima aparência,bonito e chamativo,por onde ele passava podia-se perceber os olhares,seu físico atlético.Para mim seu sorriso era cheio de luz,mas se estava zangado ou furioso mal se conseguia encarar,seu rosto mudava,não parecia o mesmo.
    A Lúcia mãe de Suelen que fotografou a família.Logo depois voltei correndo para o quintal,continuei brincando mas Suelen tinha bagunçado minha casinha de bonecas, então peguei tudo e fui para casa com raiva. 
   -O que foi Daniela?
   -Nada mãe...não é nada!!
   Do que adiantaria argumentar,sabia que no final ninguém me escutaria."
   Essa fotografia lembra minha infância,onde tudo era diversão.Tem coisas que não mudam...Hoje continuo gritando entre os surdos.
   Que frio!!!

sábado, 15 de janeiro de 2011

Senhorzinho de vestimenta engraçada

      Ela quer embebedar-se cada vez mais,acredita que assim esquecerá tudo e todos ao seu redor,parecem estar vigiando e esperando sua primeira falha.Mais uma vez ficou com cara de pastel  na frente de todos,mas consegue dar um sorriso,meio ímpar.Talvez não percebam sua dor gritando em sua cabeça e suas unhas ruídas.
     Suavemente ela toca em seu rosto meio úmido,por causa do calor do lugar,com todas aquelas mesas quase empilhadas umas em cima das outras,cheio de pessoas estranhas.E logo percebe que sua maquiagem está saindo e que precisa de um retoque.Ela corre para o toalete,lava seu rosto com muita calma e com os olhos perdidos no espelho. Se maquiou e voltou para o balcão do bar,agora com o semblante mais tranquilo. Começa a reparar a sua volta. "Como não tinha visto tal figura?" pensou ela,quando viu um senhorzinho de meia idade em uma mesa do canto direito.Reparou em sua camisa listrada nas cores amarelo e preto, " uma abelha" indagou ela baixinho,com um sorriso alegre.
     Tinha um jeito de menina,mas ninguém jamais imaginara o que ela já passou em sua vida.Parece que aquele senhorzinho de antes notou algo muito especial nela,que logo se aproxima e exclama -"Perfeita!"- ela com um olhar de surpresa nada responde.Pois todos do bar agora esperam para ver sua reação,mas ela nada fala,apenas o encara tentando decifrar aquele rosto engraçado e velho. Em seguida ele lhe oferece carona para levá-la ate em casa.Ela gentilmente agradece o pedido e nega ir embora com aquele senhorzinho de vestimenta engraçada. Na verdade ela não queria conversar nem titubear com ninguém,apenas queria se embriagar e depois ligar para um táxi.
     No caminho para casa conta toda sua vida para o taxista,que a escuta com paciência.Sua voz agora está diferente...é...conseguiu se embriagar. Ao descer do táxi manda um beijo para o taxista,coisa que jamais faria,pois não era de sua índole cometer um ato desses.
     Já no portão de casa pega seu molho de chaves "Puxa,quantas chaves eu tenho" disse ela caindo pela porta adentro,engraçado porque no chaveiro há apenas quatro chaves,a do portão,uma da porta da frente,uma do quarto e uma de um cadeado.
     Jogou sua bolsa no sofá,sua sandália no corredor nem acendeu as luzes.Deitou-se na cama e dormiu pensando naquele senhorzinho com aquele traje tão engraçado aos seus olhos verdes.

Dias de tormento

       Estava caindo uma chuva tão gostosa á tarde,não sei por que mas me veio tantas lembranças agradáveis. Não gosto,pois sei que é saudade e isso me deixa com um sentimento de agonia,uma dor no peito,um nó na garganta!
       Quando percebo já estou usando o segundo lenço.Tremenda perda de tempo.Escrevi tanto hoje que não sei de onde vem tantas palavras e idéias,talvez venha do passado ou do que ainda não aconteceu.Lembro que hoje cedo estava confabulando comigo mesma,sobre a vida,os lugares,as loucuras cometidas e a falta de arrependimento.
       Malditas lembranças,por melhores que sejam me machucam.Provocam emoções que não vejo o porque de tanta afobação.Nesse momento a melhor solução seria acampar,ir para um lugar tranquilo.Deitar na grama, acender um cigarro e olhar as nuvens se movendo,tentar criar formas de tudo o que acho belo. Depois respirar fundo,sentir minha liberdade e claro correr pisando na terra,olhar os insetos trabalhando.Puxa! A quanto tempo não desfruto disso...Fazer tudo sem pressa e a noite acender uma fogueira e nela preparar algo bem simples, para em seguida novamente me deitar e adormecer ao som dos grilos e sob o sereno.